segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Por um fim aos Super heróis





            Antes de começar meu texto quero explicar uma coisa: Eu, como muitos outros, amo os quadrinhos, gosto de folhear suas páginas, sentir o cheiro do papel e gosto de correr às bancas todo fim de semana só para garantir uma nova revista. Meu gosto já passou por diversas fases, já gostei mais do Homem-Aranha, passei pelo Superman, X-Men, Hulk, até Spawn. Pois é, posso não ser o maior colecionador do mundo, posso não ler quadrinhos há tanto tempo assim –comecei a ler em 1998, e minha primeira revista foi Wolverine 54, da Editora Abril - mas por ter lido muito material, me considero capaz de construir o texto que se seguirá nas próximas linhas.

            Antes, porém, que me ataquem com ovos e frutas podres, gostaria também de explicar que minha intenção ao escrever este texto não é de maneira alguma pedir a extinção dos heróis que tanto amamos, mas sim, dar um fim a eles da maneira que estão hoje em dia.

            Primeiramente, gostaria de começar com uma pergunta: Qual a idade média de um leitor de quadrinhos? 14, 15, 20, 30,40? Nunca fiz tal pesquisa, e ainda peço o direito de não ser atacado por isso, mas o gênero história em quadrinhos consegue abranger todas as idades, com uma temática de fácil entendimento e de entretenimento muitas vezes barato. Basta compará-las ao teatro, cinema e aos vídeos-games, tudo não passa de uma forma de entretenimento e não podem fugir disso, afinal, todas são úteis para fugirmos do dia a dia e mergulhar em um mundo fantástico onde homens podem voar e alcançar as estrelas. Mas se tudo é feito para entreter, divertir, por que, então, merecem um fim? Pense comigo no próximo parágrafo.

            Desde os primórdios, os quadrinhos se serviam do fantástico, dos homens alados, viagens espaciais, seres humanos com poderes divinos, capazes de parar uma locomotiva com as mãos, e alienígenas também. Esta é a essência das HQs, serem uma saída para os problemas do cotidiano, onde não precisamos nos preocupar com as contas a pagar, do chefe chato no emprego ou da namorada que pega no nosso pé. Nos quadrinhos estamos lado a lado com o Capitão America enfrentando o Caveira Vermelha, sendo arremessados pelo Colossus, e por que não, nos envolvendo com um belo anjo mulher ruiva dentro de uma capa vermelha de um uniforme. Os quadrinhos, assim como os clássicos da literatura, nos levam longe, expandem nossos horizontes, nos tornamos melhores leitores e críticos do dia a dia. Heróis nos ensinam valores como responsabilidade, honra, respeito e falam diretamente em nossos corações. Choramos e nos alegramos com nossos personagens favoritos e atire a primeira pedra quem nunca sentiu algo assim. Em diversos momentos as HQs são nossas vidas. Mas cometeram um erro: Quiseram trazê-los à realidade.

            Personagens como Superman, Batman ou Homem-Aranha estão por ai há décadas lutando por justiça, salvando vidas e até o universo, mas ai está o problema: um leitor, que nasceu em 1962, o mesmo ano em que o Homem-Aranha surgiu nas páginas de Amazing Fantasy nº 15, tem hoje 55 anos. E Peter Parker? Nem sei afirmar, mas creio que tenha no máximo 30.

Eu entendo que no universo dos quadrinhos os anos passam mais devagar, mas, assim como a literatura, ela respeita por diversas vezes o universo à sua volta, afinal, as gírias faladas nos anos 60 não são nem de longe as mesmas de hoje e isso se reflete nos personagens em si. Quando de sua criação, personagens como Pantera Negra tinham seu valor, mas hoje já não tem o mesmo sentido e personagens consolidados com o Capitão América precisam se reinventar para continuar a fazer sentido. Uma vez é a guerra contra o terrorismo, na outra o matam e o trazem de volta. Incrível como uma indústria tão rica não consiga criar soluções mais plausíveis, e olha que temos gênios do quilate de Frank Miller, Grant Morrison, Alan Moore, sem desmerecer os mais novos.

Mas por que então trazer o mundo dos Super-heróis para os dias atuais? Simples, comodidade. É muito mais fácil se adequar aos acontecimentos que fazem parte do contexto de produção. É por isso que vimos um mesmo personagem conhecer os presidentes Kennedy, Reagan - desculpe, não conheço a ordem correta – Carter, Bush pai, Bush filho, Clinton, Barack Obama e Donald Trumo e conhecerão os próximos 50 presidentes. Nós morreremos com nossos 99 anos e Bruce Wayne ainda será o Batman, não importa que surjam adaptações como o (ótimo) desenho animado Batman do futuro. Já tentaram construir histórias mais verossímeis, como Batman, o Cavaleiro das Trevas ou Watchmen, mas fica impossível fazer o mesmo todos os meses, com todos os personagens.

            Observe o Batman, por exemplo. Ele já foi baleado, surrado, envenenado, dado como morto, já o deixaram em uma cadeira de rodas, viajou no tempo, lutou ao lado de deuses e homens e anda por ai, cumprindo seu papel. Mas o tempo passa e que idade tem hoje? Confesso que não sei, mas creio que 38, talvez mais, talvez menos. E nesse tempo ainda temos os reboots. Ah, os reboots!

 Creio que os autores e a própria indústria deveriam mudar sua maneira de agir, criar histórias mais palpáveis não ao mundo real, material, mas que considerem que como nos espelhamos em nossos heróis favoritos acreditamos que são de carne e osso e podem vir nos salvar. Para citar um exemplo, quando do ataque ás torres do World Trade Center, eu, como muitos que naquele momento assistiam perplexos as imagens pela televisão, imaginava que em algum momento o jato dos Vingadores apareceria para salvar os sobreviventes, ou que o Superman pudesse evitar a queda das torres. Mas isso não aconteceu. Eles, os heróis, não são reais. E nós sabemos disso, mas ainda são fontes de inspiração para muitos e não apenas entretenimento barato, como supracitado.

            Um exemplo em que me baseio para defender meu ponto de vista está nos mangás, os quadrinhos japoneses como todos sabem. Eles têm começo, meio e fim. Pegue o sucesso Dragon Ball. Goku começa suas aventuras ainda criança, passa para a adolescência, a vida adulta, casa-se, tem filhos, nasce sua neta, ele fica velho e prepara um sucessor para ele, afinal, sabe que está ficando velho e que a luta continua, que novos desafios surgirão. Apesar de a Saga GT ter sido levada à televisão, ficou mais que provado que o tempo de Goku e Cia já tinham passado. Mesmo com Dragon Ball Super...

E os japoneses fazem isso muito bem, criam histórias agradáveis, por vezes fantásticas, que começam e terminam e você fica a par de toda trajetória do personagem e talvez seja esse o motivo de tamanho sucesso destes. Por outro lado, os comics americanos bebem em outra fonte e buscam a vida eterna para seus personagens, o que em parte pode ser entendido, afinal, toda vez que tentam por um substituto para algum herói, o público leitor reclama – muitas vezes devido ao fato dos criadores não criarem boas histórias, é claro – e acaba que os personagens nunca saem de cena. E Deus nos livre de um Homem-Aranha deixar de existir! Como a indústria irá sobreviver? Não defendo o fim dos super-heróis, reitero, e sim, do modo como são trabalhados.



            Personagens como o Hulk, com respeito aos seus fãs, já deram o que tinham que dar e já fizeram de tudo com ele: o deixaram burro, inteligente, burro de novo, verde, cinza, vermelho, cor de rosa, azul. Sei que exagerei, mas a verdade é que não há mais histórias a se contar. Claro que histórias muito boas são contadas, mas acabam sendo uma brisa no deserto. E os X-Men?  Nem sei mais o que dizer, e confesso que ultimamente leio somente a revista do Superman, mas é triste ver que tudo continua a mesma coisa.

O engraçado é que choro a morte da Jean Grey. Não sinto sua falta, acho incrível alguém ter coragem de matar algum peso-pesado, mas eles sempre voltam e isso me frustra. Foi-se o tempo em que a morte de um personagem me impactava. Hoje recebo a noticia com um sonoro “Ah, não. Que droga!”, por que eu sei que mais cedo ou mais tarde ele irá voltar. Preciso listar? Vai ai alguns nomes: Superman, A própria Jean Grey, Hal Jordan, Colossus. Ah não, esse lembrei agora, como se eu não o visse todos os meses? BUCK BARNES!!!!! Mas talvez nem seja ele na verdade e sim um clone do Tiririca. E falando em clone, e o Superboy Kon-El? O que que é aquilo? Ah deixa pra lá, um personagem tão bom, tão mal trabalhado e que se foi... É isso o que quero dizer. Se os quadrinhos fossem produzidos como os mangás japoneses, teríamos histórias fantásticas, material de primeira grandeza e, com certeza, seríamos leitores muito mais felizes, pois não foram poucas às vezes em que quis deixar de ler HQs por conta de uma fase ruim.

            Em suma, digo novamente que amo os quadrinhos e que eles abriram um universo totalmente novo para mim, que é o da leitura. Não fossem eles, eu nunca teria me interessado a ler romances e nem teria o conhecimento crítico que tenho hoje. Agradeço a todos os autores, desenhistas e editores das versões originais e das nacionais que trouxeram até mim este universo, mas como tudo na vida, meu gosto evoluiu, e não faço uma desconstrução do gênero e sim uma crítica que considero benéfica, e gostaria que os quadrinhos evoluíssem comigo e com os demais leitores, afinal, como diz a velha canção: “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”, mas parece que nos quadrinhos esse dia nunca passa...
           



PS: Qual seria o problema de Peter Parker estar velho demais para se balançar por ai e outro tomar o seu lugar? A luta continua, mas soldados têm de se aposentar um dia, até a velha tia May...


A Maior de Todas as Mudanças do Homem de Aço

Ele ainda era um Kryptoniano vivendo na Terra. Ainda era filho adotivo do casal Kent. Ainda existia Lois Lane em sua vida. Mas houve uma mudança que nenhum fã jamais esperou ver...
  
O início dos anos 90 foram marcados pelo surgimento de uma nova e (na época) poderosa editora de quadrinhos: A Image Comics.

Seus personagens não tinham atitudes de "bons moços", e sim, cuspiam no chão, falavam palavrão e matavam mais do que os vilões. Esses anos foram marcados por heróis violentos que faziam as aventuras de um Wolverine ou um Justiceiro parecerem coisas de coroinhas na missa de domingo.

O comportamento destes heróis causou uma revolução que pegou também a Marvel e a DC Comics, como a substituição do homem sob a máscara do Batman, e do Homem-Aranha por um clone seu.

Tais atitudes tinham o propósito de chamar a atenção dos leitores de volta para os "pesos pesados", que tinham perdido o apelo frente aos novos heróis, como o Spawn (O soldado do Inferno, lembra?) criado por Todd McFarlane.



O Batman havia sido aleijado pelo novato Bane, e substituído pelo "instável" e violento Azrael. E o que fizeram ao Superman? Simplesmente entregaram-no aos braços da morte no especial "A Morte do Super-Homem."

Mas tal evento não foi definitivo, tendo inclusive, o herói voltado da sepultura como era antes, e apenas com uma mudança fundamental: Os cabelos compridos.

Era preciso mexer com o personagem, atrair o público antigo e ganhar novos leitores. Para tanto, decidiram mudar radicalmente o Superman, o maior de todos os heróis. O primeiro herói dos quadrinhos, criado em 1938.

Tudo começou com a saga "A Noite Final", envolvendo todos os heróis da DC Comics. Na história, um ser chamado "Devorador de Sóis" envolve nosso sol e isso afeta o Planeta. Sem os raios solares o planeta esfriou, quase congelou. Os poderes do Superman, oriundos do sol amarelo, começaram a diminuir e nem mesmo o sacrifício de Hal Jordan, o outrora Lanterna Verde, e então conhecido como o vilão Parallax, resolveu os problemas do último kryptoniano.

Com a Terra restaurada após a "Noite final" - arco publicado no Brasil na revista "Os melhores do Mundo" nos números de 2 a 8, pela editora Abril. - começou a busca desesperada do Superman para recuperar seus poderes. Nada que um "mergulho" no Sol não resolvesse. Contudo, seus poderes se descontrolaram. E mudaram...

O Superman era, então, um ser de energia, capaz de se mover à velocidade da luz, e já não tinha os mesmos poderes de antes.
Por se tratar de um ser de energia, ele precisava ser contido, e para tanto, ele utilizou um uniforme feito com um tecido desenvolvido pela LexCorp - Empresa de seu arqui-inimigo Lex Luthor.

E então passou a existir um novo Superman, com novo uniforme e novos poderes. Mas os fãs não gostaram nada disso...



As mudanças foram tantas e tão radicais que espantaram os  leitores. Para se ter uma ideia, o Superman se "transformava" em Clark Kent com apenas um pensamento, e não trocando de roupa e colocando seus óculos. E quando assumia a forma humana ficava vulnerável, podendo até mesmo se machucar ao tropeçar em uma pedra, por exemplo.

E as reclamações dos leitores fizeram a "Super-equipe" criativa voltar atrás. Mas antes disso eles decidiram homenagear as histórias contadas nos eventos anteriores à "Crise nas Infinitas Terras" e dividiram o herói em dois.

A energia do Superman foi dividida e surgiram os Supermen Azul e Vermelho.



Depois disso veio a saga dos "Gigantes do Milênio", que dizia-se que queriam purificar o planeta. 

E então o Superman voltou a ser o que era antes, com sua capa esvoaçante e a cueca por cima da calça...


A Morte do Super-Homem

O final do ano de 1993 foi de luto no mundo dos quadrinhos, pois o Super-Homem (hoje chamado de Superman por aqui), o 1º Herói dos quadrinhos, morreu. Mas tudo começou bem antes...



A Marvel afeta a DC Comics

A DC Comics é a casa do Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash, Aquaman e tantos outros, mas talvez estes sejam os mais conhecidos e importantes de toda a indústria, devido a influência que exerceram durante toda sua história. Porém, um certo Stan Lee, juntamente com um artista fantástico chamado Jack "O Rei" Kirby, criou os X-Men, Homem-Aranha (Todos sabem que o artista responsável pelo cabeça de teia foi Steve Ditko, porém, Kirby seria o desenhista oficial, mas em entrevista, Stan Lee disse que Jack Kirby desenhou um Homem Aranha imponente, poderoso, contudo, Lee queria um Peter Parker franzino, algo como "uma pessoa normal", então o lápis foi para Ditko).


Marvel vs DC

A abordagem da Marvel Comics tinha personagens mais humanos, com problemas comuns como aluguel para pagar, contas e problemas de saúde. Em uma Graphic Novel, por exemplo, o herói Capitão Marvel (não confundir com o Capitão Marvel da DC que grita "Shazam!"), morreu vítima de câncer. Os leitores se identificaram mais com a Marvel.

A ascensão da Marvel afetou a DC Comics que, com vários "universos paralelos", confundia seus leitores. Para se ter uma ideia, existiam um Superboy, Superman e um Superman idoso, e todos "coexistiam", mesmo sendo a mesmo pessoa de épocas ou mundos diferentes. Confuso, não?
Mas havia uma solução...

Crise nas infinitas Terras



O universo DC era confuso, então, nos anos 1980 foi lançada a maxissérie "Crise nas Infinitas Terras", um evento que unificou as Terra paralelas, matando heróis inúteis e escreveu novas origens para os personagens da casa.

A saga deu maior importância à "Trindade" Superman, Batman e Mulher-Maravilha e também matou o velocista Barry "The Flash" Allen.

Era um admirável mundo novo...

Um novo Superman

Crise nas Infinitas Terras alterou o universo e origens dos heróis, e não foi diferente com o kryptoniano. A maior mudança do Superman foi nos seus poderes. Ele já não era mais tão poderoso e perdeu habilidades como "viajar no tempo". Pois é, ele podia fazer isso...


O novo Super-Homem 

Ele também ficou mais fraco, o que possibilitou novas histórias muito mais interessantes...

A Liga da Justiça

Hoje, através dos desenhos animados, todos conhecem a Liga da Justiça, com Superman, Batman, Mulher-Maravilha, caçador de Marte (Ajax) e mais um quinquilhão de personagens, mas a Liga 
pós-Crise não era assim. A equipe tinha Guy Gardner como (o melhor, segundo ele mesmo) Lanterna Verde, Besouro Azul, Gladiador Dourado e outros menos importantes e, vez ou outra, Batman dava as caras. Essa fase foi marcada pelo bom humor e fez muito sucesso.


A Liga da Justiça

Mas o mundo estava mudando. No início dos anos 1990 surgiram heróis violentos como Cable ('tá, eu sei...) e Spawn (ok, ok). O mundo estava confuso, influência de "Batman - O Cavaleiro das Trevas", série que apresentou um Batman mais de idade e com a abordagem fantástica de Frank Miller, abriu as portas para uma nova forma e se contar histórias em quadrinhos. Além, é claro, de Watchmen.

Com isso a Liga também mudou...

Sob a batuta de Dan Jurgens, a Liga passou a ter Superman, Gladiador Dourado, Besouro Azul, Fogo (heroína brasileira chamada Beatriz da Costa - bem volúvel, por sinal), Gelo e Bloodwynd. Foi essa versão da liga que viu o Superman tombar...

A Morte do Superman 

O Superman foi o primeiro herói dos quadrinhos, mas já não chamava mais tanta atenção. Então, foi planejado um evento "arrasa-quarteirão", e acredite, matar o Super não foi uma escolha qualquer. Foi muito arriscado, pois é muito difícil mexer tão profundamente com um herói consagrado.


 Super-Homem vs Apocalypse

A história girou em torno de "Apocalypse", um monstro que surge do nada, nos meio dos EUA, causando destruição e mortes. A liga parte em seu encalço enquanto o Superman está em uma entrevista transmitida para todas as escolas do país.

Apocalypse era muito poderoso e derrotou toda a Liga da Justiça com uma mão amarrada atrás das costas - literalmente. O Superman ficou sabendo e foi atrás do monstro. Os dois atravessaram o país lutando até que chegaram em Metrópolis, a cidade do Superman.

A cada ataque do Super o monstro resistia e ria a todo momento. Somente no final Superman conseguiu detê-lo.

Superman derrotou Apocalypse em um combate corpo a corpo, mas, muito ferido, veio a falecer nos braços de sua, na época, noiva, Lois Lane. O mundo chorou a morte de seu maior herói, mas o luto foi curto, porém, outra hora escreverei sobre isso, que acontece na minissérie "O Retorno do Super-Homem".



Anos depois

Quando a história foi publicada houve bastante publicidade. Em uma época sem internet, a notícia atravessou o mundo pela TV, tendo, inclusive, comentário em telejornais do nosso país. Teve também uma piada em "os Trapalhões".


"Doomsday" é o nome original de Apocalypse.


Contudo, lendo a história novamente, há claramente uma falta de criatividade. Há apenas destruição, nada mais elaborado. Apocalypse não têm origem (contada apenas na minissérie "Super-Homem vs Apocalypse - A Revanche), não fala e também não há motivo para tanta destruição. Foi um evento "caça-níquel" que surtiu muito efeito. Hoje, porém, não causa o mesmo impacto, sendo uma história que envelheceu mal. Triste...


"Nos vemos no meu retorno!"


TERREMOTO - A História que Literalmente Destruiu Gotham City



Misturar HQ´s com situações reais é - muitas das vezes - um tiro no pé da equipe de criação. Se o autor não for "macho", tipo um Alan Moore, que tentou trazer a realidade aos quadrinhos, a coisa desanda. É só pensar assim: "no mundo real nós vivemos as situações do dia a dia. Trabalhamos, comemos, dormimos e, ainda assim, existe gente que acredita em vida em outros planetas. Se por acaso, um dia, uma nave alienígena pousar no centro de São Paulo (e se achar vaga), todo mundo será pego de surpresa.
Nos quadrinhos tal situação não é possível, afinal, o Superman é um alienígena vindo do extinto planeta Krypton. e a  Tropa dos Lanternas Verdes está espalhada por todo o universo. A coisa fica meio assim: "Ah, não! Uma nave alienígena pousou no meu jardim... De novo!"

Não dá pra trabalhar com situações inesperadas ou surpresas...

Quando o senhor Moore criou Watchmen, provou que essa relação ficção/realidade é impossível, afinal, o que impediria Magneto realmente se tornar rei de um país (como já aconteceu)? E por que isso não afetaria a economia global, já que se o Donald Trump soltar um "pum", as bolsas de Nova York "fecham" em baixa? Se tal situação ( a de Magneto ser rei e não o "pum" do Trump) acontecesse, o mundo viria a baixo, devido ao terror. Mas nos quadrinhos...


Mas graças à Deus que os quadrinhos são apenas nosso lazer e, por isso, não devemos trazer coisas mais relevantes. É apenas uma forma de relaxar durante 20 minutos ou mais.

Eu escrevi toda essa enrolação pra falar de uma história legal do Batman que mostra que com um pouco de boa vontade dá pra fazer coisas legais.



O Homem-Morcego vinha de eventos "bombásticos" desde o início da década de 1990, e isso era o mote da época, afinal, foi quando tivemos a "Morte do Superman- (falarei disso em outra oportunidade).
Batman havia sido quebrado pelo novato "Bane" na interminável saga " A Queda do Morcego", um lenga-lenga que durou 2 anos! Depois tivemos a saga "Contágio", que abalou Gotham City por causa do vírus Ebola.

Foi então que veio o grande clímax: TERREMOTO.



É legal ler histórias assim, em que o herói não pode fazer nada. Não adianta usar o cérebro, nem socar algum vilão, pois quem causou os problemas foi a "mãe-natureza". A história é a seguinte:

Gotham foi surpreendida por um terremoto de 7.6 pontos na escala Richter (que vai até 9 pontos). Isso destruiu toda a cidade que, como todos acreditavam, era impossível acontecer.

O saldo foi de mais de 100 mil mortes. Tudo foi destruído, até mesma a Mansão Wayne e a Batcaverna.
Ao Batman restou contar com a ajuda dos "Vigilantes de Gotham" para resgatar os feridos e evitar mais mortes.

Nesse ínterim, houve uma fuga da prisão Balckgate e uma rebelião no Asilo Arkham, em que o Coringa e mais alguns vilões enlouqueceram um guarda - muito boa essa história, por sinal.
Mas nesse tempo surgiu um novo vilão que se chamava "Tremor". Ele se dizia responsável pelo terremoto e, se a cidade não pagasse uma quantia de 100 milhões de dólares, ele causaria um novo abalo, mas de 9 pontos, para destruir Gotham de vez.

Num revés, destes dos quadrinhos, os heróis descobrem que o tal tremor é apenas alguém se aproveitando da situação, e que ele não causara o terremoto. A tragédia foi mesmo natural...

Robin, depois de assistir uma fita gravada pela polícia, descobre que o Tremor era na verdade um boneco controlado pelo Ventríloquo, assim como controlava o Scarface.

E assim termina a saga Terremoto, mas ela foi apenas o início de uma nova e mais interessante história, intitulada "Terra de Ninguém", em que o governo decide que Gotham City não faz mais parte dos Estados Unidos. Coube apenas ao Batman defender sua cidade, tanto como o herói encapuzado, como na pele de Bruce Wayne.

Enfim, Terremoto foi lançado em 1999 pela Editora Abril e foi publicada nas revistas:

- Batman: Vigilantes de Gotham nº 33 (julho)
- Batman nº 33 (julho)
- Batman: Vigilantes de Gotham nº 34 (agosto)
- Batman nº 34 (agosto)
- Batman: Vigilantes de Gotham nº 35 (setembro)

Terremoto foi, sem dúvida, uma das melhores histórias do Homem-Morcego.

Pelo menos na minha opinião...


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tirando o carro da frente da U.S.S.Enterprise


“O texto é sobre um filme que demorei 8 anos para assistir. Ainda bem!”

"Sério que ele demorou tanto pra assistir?" 


            2017. Domingo. Estas são as palavras de alguém que, como um Vulcano híbrido com uma humana, sente arrependimento e alegria por somente agora conhecer o reboot Star Trek, de 2009, assinado por JJ Abrams. E a descrição acima está correta: Foram quase 8 anos.

            Quando mais jovem, eu costumava assistir a série clássica, a qual ainda conhecia como “Jornada nas estrelas”, costume que “herdei” de minha mãe. Porém, minha sede por ficção científica foi saciada por outra franquia, menor em volume (na época), mas tão grande quanto em importância: Star Wars. Com isso, deixei de acompanhar, ainda em “A Nova Geração”, e não me lembro de ter assistido suas temporadas seguintes, nem aos filmes. Tampouco li os livros. Nem vi o crossover com Os X-Men.

            Soube do reboot de 2009, li suas resenhas, absorvi seus elogios, mas deixei simplesmente... para depois. E três filmes foram lançados. Uma “Nova Velha Geração” surgiu, com inúmeras possibilidades e um nome me fazia ficar interessado no que estava sendo feito: JJ Abrams. Mas ainda o deixei para depois. Até o domingo, data estelar 19 de março de 2017. Já faz um tempo...

O Impacto

            Assisti reticente, mas torcendo para que o filme fosse bom. Vi, preso ao sofá, o sacrifício do pai de James T. Kirk que eu desconhecia, que, ante à morte iminente, ainda teve tempo para uma última piada, a qual dizia que o nome do próprio pai era “muito feito”. Sorri também ao ver que este era interpretado pelo, por mim, já conhecido Chris Hemsworth, o Thor de “Os Vingadores”. Consegui reconhecer cada personagem antes que se apresentassem: Uhura, Sulu, Spock, Scott, McCoy. Parabéns à escolha de elenco e figurino.



            E palmas ao roteiro e direção.

            O filme me prendeu pelo pouco mais de 2 horas, mas deixou o desejo e a fala “por favor, não termine agora”. E veio a satisfação pelo fanservice na aparição da versão futura e mais velha de Spock. Palmas eternas ao grande Leonard Nimoy.

            Veio também o alívio após a derrota do vilão Nero, que, em sua sede de vingança por algo que ainda não aconteceu, destruiu o planeta natal de Spock, Vulcano. Alívio e alegria ao ver o Capitão Kirk finalmente em seu lugar de direito. De 1º oficial a capitão.

            Alegria minha por ter assistido somente agora, 8 anos depois. Atrasado sim, mas livre de qualquer desconfiança ou preconceito.

            Parabéns JJ Abrams.


            Vida longa e próspera...